sábado, 19 de setembro de 2009

Retirada do plano de escudo....


7/09/2009 - 14h20
Retirada do plano de escudo antimísseis na Europa divide tchecos e poloneses
Tchecos e poloneses expressaram rancor e alívio nesta quinta-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desistiu dos planos de um escudo antimísseis em seus territórios, refletindo uma grande divisão sobre a proposta que irritou a Rússia.

O novo chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) saudou a medida, classificada como "um passo positivo" e analistas russos dizem que a decisão de Obama vai aumentar as chances de a Rússia cooperar mais de perto com os Estados Unidos na aquecida disputa sobre o programa nuclear do Irã
Ex-líderes da República Tcheca e da Polônia mostraram indignação com a decisão de Obama e dizem que ela reforçou a impressão crescente de que Washington não vê mais a região como indispensável para os interesses de segurança dos Estados Unidos e da Europa.

No entanto, cidadãos comuns que estavam céticos sobre os benefícios do escudo ficaram aliviados ao saber que o sistema não será construído em seus países. "É uma grande vitória para a República Tcheca. Nós estamos felizes por poder continuar a viver no nosso lindo país sem a presença de soldados estrangeiros", disse Jan Tamas, um ativista que organizou inúmeros protestos. Jiri Paroubek, presidente dos Social Democratas e um dos maiores opositores do escudo antimísseis, também disse que estas eram "excelentes notícias".

Os governos dos dois países aprovaram o plano de colocar 10 foguetes interceptores na Polônia e um sistema de radares na República Tcheca. A administração de George W. Bush havia classificado o sistema como uma defesa estratégica para agir contra uma ameaça perceptível do Irã.
Mas o plano americano irritou bastante a Rússia, que se sentiu afrontada pela grande proximidade em que os mísseis ficariam de suas fronteiras.

O primeiro-ministro da República Tcheca, Jan Fischer, disse que Obama lhe assegurou que a "cooperação estratégica" entre a República Tcheca e os Estados Unidos vai continuar, e que Washington considera os cidadãos thecos entre seus aliados mais próximos.

Já o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que Obama garantiu que a alteração do projeto do escudo antimísseis não vai afetar a segurança da Polônia ou da Europa.

Fischer disse que, agora, os EUA consideram que a ameaça de um ataque com mísseis de curto e médio alcance é maior que com mísseis de longo alcance. "É isto que os Estados Unidos avaliaram como a ameaça mais séria e a decisão de Obama se baseou nisso", disse Fischer.
Descartar o escudo antimísseis surge como uma reviravolta para muitos líderes poloneses e tchecos, que viram a possibilidade de fortalecer os laços militares com os Estados Unidos como uma maneira de defesa contra a ressurgente Rússia.

O medo de Moscou é especialmente grande na Polônia, principalmente por causa de um aniversário importante nesta quinta-feira: exatamente 70 anos atrás, em 17 de setembro de 1939, a Polônia foi invadida pela União Soviética, no início da Segunda Guerra Mundial.

A decisão desta quinta-feira é outro sinal de que "os americanos não estão interessados neste território como estavam anteriormente", disse Mirek Topolanek, um ex-primeiro ministro tcheco cujo governo assinou tratados com os Estados Unidos para iniciar o escudo.

"Não é bom", disse o ex-presidente polonês Lech Walesa. "Eu sei que tipo de política a administração de Obama está objetivando para esta parte da Europa", disse Walesa. "A maneira como estamos sendo tratados precisa mudar".

Aleksander Szczyglo, líder do Escritório de Segurança Nacional da Polônia, chamou a mudança de "uma derrota americana na maneira de pensar a longo prazo sobre a situação desta parte da Europa"

O primeiro-ministro da República Tcheca, Jan Kohout, disse que recebeu a garantia de que os EUA estavam tomando cuidados para "melhorar a segurança dos membros da Otan, incluindo a República Tcheca".

Em Bruxelas, o secretário geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen disse que falou com o principal enviado americano da Otan sobre as mudanças no plano antimísseis e que todos os membros da Otan serão informados ao longo desta quinta-feira. "Tenho a impressão de que o plano americano envolverá a Otan... para um nível mais alto no futuro", disse Fogh Rasmussen. "Este é um passo positivo para um processo inclusivo e transparente, que eu penso ser do interesse...da aliança da Otan"
A Rússia estava insatisfeita com a perspectiva de ter foguetes interceptadores americanos em países tão próximos e a administração de Obama tentou melhorar os desgastados laços dos EUA com o Kremlin. Obama deve se encontrar com o presidente russo, Dmitry Medvedev, na semana que vem, já que os dois estarão na Assembleia Geral da ONU em Nova York.

"A decisão do presidente americano foi bem pensada e sistemática", disse Konstantin Kosachev, chefe do comitê para assuntos estrangeiros na Duma, a casa baixa do parlamento russo. "Ela reflete a compreensão de que nenhuma medida de segurança pode ser construída inteiramente baseada em uma nação", disse. "Agora podemos pensar na restauração de uma parceria estratégica entre a Rússia e os Estados Unidos", acrescentou Kosachev.

Alexei Arbatov, chefe da Academia Russa do Centro de Ciência para Segurança Internacional, disse que os Estados Unidos estavam desistindo dos mísseis de defesa para conseguir mais cooperação da Rússia sobre o Irã.

"Os Estados Unidos estão avaliando que, ao rejeitar o sistema de mísseis de defesa ou adiá-lo para um futuro distante, a Rússia vai se inclinar aos Estados Unidos para tomar sanções mais duras contra o Irã", disse.

A Rússia negou nesta quinta-feira qualquer tipo de acordo secreto com os Estados Unidos para a mudança de posição de Washington sobre o escudo antimísseis.

"Alguns meios de comunicação afirmam que existe um suposto acordo sobre o escudo antimísseis. Posso afirmar que isto não corresponde a nossa política, nem com a maneira de abordar qualquer tipo de problemas com qualquer país. São meras conjecturas", afirmou Andrei Nesterenko, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

Obama assumiu a presidência indeciso sobre o sistema europeu e disse que o estudaria. Em discurso em Praga em abril, Obama disse que Washington continuaria a desenvolver o sistema enquanto o Irã fosse uma ameaça para a segurança americana e europeia. Mas um alto líder militar, general James Cartwright, da Marinha, sugeriu, recentemente, que os Estados Unidos podem ter subestimado o tempo que o Irã levaria para desenvolver mísseis de longo alcance.

O governo tcheco esteve por trás do sistema planejado de radar apesar de publicamente fazer oposição a ele. Alguns críticos temiam que o país pudesse ser alvo de terroristas se concordasse em sediar o sistema de radar, que foi planejado para a instalação militar de Brdy, a 90 quilômetros da capital, Praga.

A decisão de retirar o plano certamente terá consequências futuras nas relações americanas como a Europa Oriental. "Se a administração se aproximar de nós com qualquer pedido, eu serei fortemente contra", disse Jan Vidim, um legislador do conservador Partido Democrático Cívico da República Tcheca, que defendeu o plano do escudo antimísseis.
FOTO:
Obama anuncia retirada do plano de escudo antimísseis na Europa, na Casa Branca.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/09/17/ult1859u1453.jhtm

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