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domingo, 24 de outubro de 2010

EUA planejam dobrar terceirizados de segurança no Iraque...

9/08/2010 - 19h03

EUA planejam dobrar terceirizados de segurança no Iraque após retirada militar

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DE SÃO PAULO
DA REUTERS
Atualizado às 19h19.
O Departamento de Estado americano planeja dobrar o número de funcionários terceirizados de segurança para garantir a integridade de sua equipe civil no Iraque após a retirada das tropas, disseram autoridades nesta quinta-feira.
Os 1.800 soldados da última brigada de combate dos Estados Unidos deixaram o Iraque com destino ao Kuait na noite desta quinta-feira, em um momento que Washington declarou ser histórico. Oficiais americanos afirmam que restam agora 56 mil tropas, número que deve ser reduzido a 50 mil militares até o prazo de 31 de agosto.
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Thaier al-Sudani/Reuters
Soldados ajudam a última brigada de combate a embarcar suas malas antes de deixar o Iraque para o Kuait
Soldados ajudam a última brigada de combate a embarcar suas malas antes de deixar o Iraque para o Kuait
Essa retirada deixa um vácuo de segurança, que deverá ser preenchido por funcionários terceirizados, disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.
Segundo Crowley, o plano é chegar a um total de 7.000 funcionários de segurança empregados pelo governo do Iraque. Desde a invasão liderada pelos EUA em 2003, empresas privadas de segurança têm sido frequentemente acusadas de agirem acima da lei.
"Nós ainda teremos nossas próprias necessidades de segurança para garantir que nossos diplomatas e especialistas em desenvolvimento estejam bem protegidos", disse Crowley em entrevista coletiva.
"Temos planos muito específicos para aumentar nossa segurança... conforme os soldados partem. Isso será caro. Não é uma proposta barata", disse ele, defendendo que os custos públicos, no entanto, serão muito menores do que o gasto com o envio de soldados.
Os EUA está entregando a maioria do trabalho futuro de desenvolvimento no Iraque ao Departamento de Estado, que pediu entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões anuais para ajudar a financiar desde de novos consulados ao treinamento da polícia iraquiana.
TERCEIRIZADOS
O emprego de terceirizados tem causado irritação no Iraque, particularmente após uma corte americana ter retirado acusações contra guardas da empresa Blackwater Worldwide, acusados de matar 14 civis iraquianos em Bagdá em 2007.
Os terceirizados eram imunes a processos judiciais, mas a proteção foi derrubada no ano passado, após um pacto entre EUA e Iraque devolver a Bagdá a soberania do país.
Os funcionários de segurança também causaram ultraje no Afeganistão, onde o presidente Hamid Karzai baixou um decreto esta semana ordenando que as empresas particulares de segurança se desfaça dentro de quatro meses, como parte de um ambicioso plano para o governo assumir toda a segurança do país a partir de 2014.
Uma alta autoridade americana reconheceu que funcionários terceirizados causaram problemas no Iraque no passado, mas disse que o governo está confiante de que isso pode ser evitado para "uma necessidade de segurança de curta duração".
"Tivemos situações trágicas envolvendo contratados no passado. Trabalhamos essa questão junto com o governo iraquiano. Houve mudanças nos últimos dois anos para melhorar a supervisão e responsabilidade dos terceirizados no Iraque", disse a autoridade.
O aumento do número de terceirizados no Iraque acontece apesar da expectativa pessoal da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de reduzir a dependência do governo a empresas terceirizadas em uma boa parte das operações de segurança e desenvolvimento no exterior.
Crowley disse que a decisão foi vista como a mais prática no Iraque, dando ao governo a flexibilidade para aumentar a segurança agora e, depois, recuar se, como as autoridades esperam, a situação geral de segurança melhorar.

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Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/785812-eua-planejam-dobrar-terceirizados-de-seguranca-no-iraque-apos-retirada-militar.shtml

Crimes de guerra: escravas sexuais no Iraque e no Afeganistão

Internacional| 20/07/2010 | Copyleft
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Crimes de guerra: escravas sexuais no Iraque e no Afeganistão

Uma menina iraquiana de 12 anos é obrigada a se prostituir nos subsolos de Bagdá, enquanto os guardas privados norte-americanos fazem uma coleta de poucos dólares e fazem fila. As moças são recrutadas no Leste Europeu com a promessa de um trabalho como doméstica em Dubai e depois dali são desviadas e segregadas ao coração do Iraque. As garçonetes dos restaurantes chineses de Kabul, por trás das luzes vermelhas, escondem o segredo que todos conhecem. O artigo é de Angelo Aquaro, do jornal La Repubblica.

Angela Aquaro - La Repubblica (IHU On-line)

Matéria publicada em português no IHU On-line


O último horror das "guerras gêmeas" que Barack Obama herdou de George W. Bush tem o rosto das mulheres exploradas em nome daquele outro ídolo que divide o altar com o dinheiro: o sexo. Mas oito anos depois do início da guerra contra o terror, o balanço dessa batalha é ainda mais magro: zero a zero. As ordens do presidente eram retumbantes como as proclamações da vitória que não chegava.

É severamente proibido que os contratantes ou funcionários do governo se tornem responsáveis pelo tráfico sexual nas zonas de guerra. Qualquer um que se torne responsável pelo tráfico sexual será suspenso do cargo. Quem for surpreendido em tráfico sexual será denunciado às autoridades. Os resultados? "Não há nenhum processo aberto", diz a ex-detetive do Human Rights Watch, Martina Venderberg. "Enfim, não há vontade de fazer com que se respeite a lei".

A vergonha foi descoberta por uma investigação do Center for Public Integrity, publicada neste domingo pelo Washington Post. E os contratantes da ex-Blackwater acabaram sob acusação: o grupo privado já tristemente famoso pelos massacres de civis no Iraque. A empresa goza de uma fama tão ruim que, para voltar a trabalhar hoje, mudou de marca e se chama Xe Service.

Um ex-guarda conta que não quer revelar o nome por medo de represálias: "Eu mesmo vi guardas mais velhos recolherem dinheiro, enquanto moças iraquianas, dentre as quais meninas de 12 e 13 anos, se prostituíam". O guarda diz também que denunciou tudo ao seu superior, mas que "nenhum procedimento foi tomado: me entristece só de falar nisso".

De fato, quem não se entristece é a porta-voz da ex-Blackwater, Stacy De Luke, que, no Washington Post, nega "com força essas acusações anônimas e sem provas: a política da empresa proíbe o tráfico humano". Claro.

O caso das trabalhadores do leste que pensam em voar para Dubai e acabam no Iraque foi descoberto por uma jornalista freelancer. Aqui, a organização era muito mais acurada. Um verdadeiro tráfico organizado por subcontratantes que trabalham para o Exército e para o Exchange Service da Aeronáutica: nome que deveria indicar o escritório que se ocupa de organizar o serviço de restaurantes, mas que evidentemente também se ocupa de outras coisas. Assim que aterrizam, as pobrezinhas são privadas do passaporte. Há também um preço para o resgate: 1.100 dólares. Uma quantia enorme, visto que se prostituem por poucos dólares.

A fábrica do sexo é ainda mais sólida no Afeganistão. Lá, há quatro anos, uma centena de chinesas foram libertadas em uma série de blitzes que, ao invés do Talibã, atingiram os bordéis. Mas o tráfico continuou. Com a "aquisição" de uma mulher por 20 mil dólares, um empresário do ArmorGroup, a empresa que, até pouco tempo atrás, se ocupava da segurança da embaixada norte-americana em Kabul, se orgulhava de poder organizar um tráfico rentável. A investigação que iniciou rapidamente chegou ao altos níveis do FBI. Mas parou por aqui.

Os federais defendem que não tiveram meios suficientes. Nas zonas de guerra, enfileiraram-se cerca de 40 agentes, mas eles já têm muito a fazer ao se ocupar de fraudes e corrupção. Mas os ativistas dos direitos humanos têm uma outra explicação: a verdade é que as autoridades preferem fechar um olho. Diz Christopher H. Smith, deputado e autor de uma lei antitráfico, para a crônica republicana: como é possível tolerar que essa gente possa explorar as mulheres com o dinheiro que nós pagamos? Eis uma outra herança da qual Obama deverá se ocupar.


Fonte:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16811